Falando sobre pedintes

Gente, um assunto sério aqui no blog: pedintes.

Bem, eu gostaria de saber o que vocês pensam quando eles vem até vocês, se vocês dão dinheiro, essas coisas.

Eu sou muito coração mole e eu SEMPRE dou dinheiro.

Tem sempre alguém que fala “Ah, você está contribuindo para o aumento  da mendigagem!”, mas pô!, e se eles não tiverem outra alternativa?

Todo mundo sabe que a situação de empregos no Brasil tá braba, e pior ainda é o pessoal que vem de baixo se incluir em uma camada mais acima então,  o que resta além de pedir ou vender coisas no sinal? Fazer programa? Num rola.

Eu não acho que uma pessoa peça dinheiro por qualquer coisa. Quando é pra cheirar, fumar crack, ela já vem toda loucona atrás de você. Isso aconteceu comigo uma vez, um carinha no sinal veio bem doido e me pediu dinheiro pra comprar comida. ÓBVIO que eu não dei porque dava pra ver na cara do cidadão que ele tava on drugs. Aê, quando eu disse que não tinha, ele me mandou tomar no cu. :)

Singelo.

Quem precisa pra comer, não fica revoltado desse jeito, apenas aceita. Pelo menos é o que eu acho.

Claro que tem a história de criança que o pai põe pra pedir esmola, mas meu, E SE a criança estiver pedindo porque PRECISA MESMO comprar comida?

E SE ele for MESMO surdo?

E SE ele precisar MESMO da cadeira de rodas?

Todos nós já enfrentamos a típica situação de uma pessoa que chega com um papel escrito que precisa de um aparelho para ouvir, ou algo para poder trabalhar, ou uma cadeira de rodas pro filho. Muitos dizem que não tem, deixam pra lá, mas meu, eu não consigo.

Eu sou a única dos meus amigos que sempre dá e não quero pagar de boa moça não. Eu só acho que, mesmo que seja errado pedir, o cara não tem opção porque o país não dá oportunidade pra quem vem de baixo. E, mew, 2 reais, 5 reais, 50 centavos, VÃO TE FAZER FALTA?

A mim nunca fez. Porque eu sempre penso no “E SE…“.

Meu pai não tolera pedintes, flanelinhas, nem nada disso. Embora eu ache que os flanelinhas são mesmo inconvenientes, eu tiro do meu dinheiro pra dar. Porque meu, não é pra qualquer um ficar debaixo de um sol de 40 graus, sem camisa, lavando carro. Então, não é pra juntar um milhão de moedinhas que ele tá pedindo, certo?

Sempre me vem na cabeça a história de pedir pra comprar drogas, mas cara, prefiro dar os malditos 2 reais do que dormir com a idéia de que a mulher que veio me pedir dinheiro realmente tinha um filho paralítico e eu NÃO AJUDEI.

Hoje um senhor me pediu dinheiro na rua. Ele tinha uns 50 anos e me entregou um papel dizendo “Minha língua foi cortada aos 3 anos por um tio bêbado. Não falo, mas ouço bem. Com a sua ajuda posso comprar uma carrocinha de pipoca para me sustentar”. Eu virei pra perguntar se podia ser qualquer quantia (porque tem pedintes que estabelecem quantias. uma vez um surdo me entregou um papel que era só acima de 2 reais – e eu não tinha 2 reais, tinha alguns centavos apenas – mas eu dei e ele fez cara feia. não me arrependi, mas odeio ingratidão. tem que agradecer SIM, porque não deixa de ser um ato de bondade. tanto que tem gente que TEM O DINHEIRO, mas NÃO DÁ.) e ele me mostrou a “língua“. Faleci. Achei exagero mas é aquilo, com certeza tem gente que não acredita.

Ele pode provar que precisa, mas e os que não podem?

Se já é difícil acreditar num cara que não tem língua, mais difícil ainda é acreditar em alguém que diz que tem uma doença rara.

Só acho, e sempre achei, que não custa ajudar.

Até porque, se fosse por vagabundagem, nem esmola tava pedindo. Porque o que tem de gente ruim que humilha pedinte, né brinquedo não. Só com muita força de vontade mesmo.

Agora quero saber a opinião de vocês e a experiência de vocês.

Deixo aqui um vídeo que expressa muito o que eu disse nesse post.

Até a próxima.

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  1. Segundo a Lei Nº 6.242, DE 23 DE SETEMBRO DE 1975, a profissão de guardador/lavador de carros é Legal, sim. Porém, de acordo com a atitude daquele que te aborda pra oferecer os serviços, pode te permitir denunciá-lo como criminoso ao praticar crime de extorsão mediante ameaça física/moral. Estou colocando isso porque tem muita madame metida a besta que não abaixa o vidro nem pra frentista, faltando passar o cartão pela fresta da porta, ainda esperando ser tratada com respeito e nem imaginando -será?- que está contribuindo para o fortalecimento desta casta social imperante no nosso país. E é daí pra pior: alguém se lembra da Chacina da Candelária?

    Contraditoriamente, dar esmola é crime (configura Vadiagem e está previsto no art. 323, II do Código de Processo Penal), ou seja: o governo e o judiciário querem que o morador de rua se FODA, apoiados na moral de que apenas o trabalho regular é passível de fiscalização e assim não pode ser corrompido. Mas quantas profissões regulares temos saturadas de profissionais corruptos, que praticam extorsão, roubo, desvio do dinheiro público?

    Uma certa vez eu estava subindo uma rua e uma senhora me pediu um dinheiro, estando eu estava muito atrasado. Eu parei e expliquei que não tinha nada, que estava só com o dinheiro do ônibus. Ela me perguntou se eu passaria no dia seguinte e se poderia lhe trazer um dinheiro qualquer, uma moeda que fosse. Disse que voltaria sim. Não passei por ali mais, e já faz um ano e meio isso. Por um lado eu posso não ter sido sincero, mas eu JAMAIS dispenso a boa educação com uma pessoa que tá numa bem pior que eu. Ninguém tá discutindo aqui a intenção, eu falo mesmo da situação humilhante de estar sujo, sentado na calçada e pedindo a uma pessoa uma ajuda qualquer.

    É degradante até mesmo pra nós, que passamos em melhor situação por essas pessoas, saber que uma Constituição velha e falida não garante a integridade moral e cívica de um cidadão. É de extrema importância verificar se o seu candidato tem projetos voltados pra essa área da administração pública, que não é caridade coisa nenhuma, é obrigação do poder público prover as condições básicas para que o cidadão se mantenha e se nutra do seu próprio suor, o que não significa de maneira alguma dar-lhe esmola por meio de programas sociais paliativos.

    Finalizando o comentário, você sabiamente (mais uma vez entre tantas), Ane, debateu o assunto pela visão mais concreta dos fatos quando colocou o “e se”. Porque é disso que se constitui nosso julgamento moral, na verdade: no “e se”. E talvez mesmo por isso algumas pessoas acreditem que Deus se “disfarça” (como se possuísse corpo e formas definidas) de mendigo, porque é baseado no juízo de fé que o “e se” é articulação viva da bondade de pessoas que cumprem sua parte pra mudar essa calamidade diária.

  2. Duas coisas:

    1) Você é uma das responsáveis pela manutenção da indústria da esmola. Há pessoas que ALUGAM seus bebês de colo para outras pessoas esmolarem com eles no trânsito, o dia inteiro sob o sol. Daí pra baixo.

    2) Veja isto e se arrependa de 90% das esmolas que deu.
    http://mallmal.blogspot.com/2008/11/amoeba-on-wheels.html#links

  3. [...] política quanto a pedintes de rua é diferente da praticada pela Ana, o post dela até incitou-me a compartilhar meu sistema com [...]

  4. Sempre penso no “e se” também,só deixo de dar esmola quando percebo que é pra comprar drogas(situação parecida com a que você falou) ou quando não tenho mesmo.Minha mãe sempre reclama quando dou dinheiro a alguém na rua,mas como você falou,é melhor correr o risco de dar dinheiro pra alguém se drogar do que ficar com a consciência pesada de ter deixado de ajudar alguém que talvez realmente precisava.
    Não concordo com a parte de “o país não dá oportunidade pra quem vem de baixo”,sei que a maioria dos pedintes poderia estar trabalhando(não é incomum ouvir relatos de outras pessoas falando que falaram pro pedinte lavar o carro/cortar a grama por quantia X e ele ir embora,por não querer trabalhar,e sei que boa parte deles simplesmente não quer trabalho),mas como eu vou deixar de ajudar um homem com uma criança no colo?Ele não quer trabalhar,mas a criança não tem culpa,e precisa comer.

  5. minha querida ‘liquinho’, por falar em lingua, segundo a velha e ainda em vigor “Nossa Lingua Portuguesa”, não é mendigagem ( s.f., vida de mendigo, mendicidade) e sim mendicância (do Lat. mendicate; s.f., estado de quem é obrigado a mendigar; ato de mendigar); quanto a dar ou não esmolas é uma escolha pessoal, o importante é fazer o que se acha certo.

  6. Maars! Não sabia! Sempre ouvi todo mundo falando “mendigagem” hm
    Bom saber!

  7. O mendigo: Geralmente se vc dá, mas fica se sentindo um inútil, pq aquilo não vai ajudar ele realmente, só que dá o dinheiro, pq derrepente ele compra uma comida para ele, ou uma bebida, pq não??? vai dizer que só quem tem lugar numa mesa vermelha daquela marca de cerveja que tem direito a beber. Ele tem mais motivos para beber do que essa gente.

    A mãe com a criança no colo: Nos causa um misto de raiva e pena, dependendo da situação. Raiva da mãe que “usa” os filhos para pedir dinheiro, mas ao mesmo tempo pena, pois mal ou bem é filho da pessoa, e se chegou a esse ponto é pq a vida não é fácil.

    O operado: É o cidadão que entre no ônibus, mostra a caixa de remédio e pede a menor contribuição. Esse não tem saída, tem que dar mesmo.

    No fim das contas eu gostaria de viver em um país melhor em que as pessoas não sentissem a necessidade de pedir esmola.

  8. Para mim basta saber que eles geram ZERO de arrecadação e MILHÕES em despesas.

  9. Eu até ajudava um cara que batia aqui na porta de vez em quando, dando comida para ele. mas ai ele virou assíduo da nossa porta, e vinha todo SANTO DIA. Aí é muita cara de pau. Acabou perdendo o que tinha…

  10. Não dou esmola nunca para ninguém. Pois não acho certo e não gosto de estimular. A maioria é maloqueira e os flanelas não são donos da rua, então n devia ficar cobrando tanto para arranhar o carro, sentar nele, mexer nos pneus ou outras coisas q devem fazer.
    Não fico com peso na consciência nem nada.

    Acho horrivel tb ficarem usando bebês para comover as pessoas…
    Enfim, isso nunca vai acabar infelizmente.

  11. Eu estava com uns primos na praia…Um mendigo apareceu, contou uma história que não convenceu ninguém. Meu primo disse pra ele dizer a verdade. Ele disse que queria beber. Nós ajudamos mesmo assim.
    Sou pela banalização do champagne…Não era o caso. Foi só um cara com a vida dificil, com a cidade dele cheia de turistas, tentando curtir. Nós ajudamos. “Ama o próximo a ti mesmo”. Porque quem eu sou independe da atitude dos outros. Apoio seu pensamento. Me mudei de Sampa faz tempo moro numa cidade sem mendigos agora. Estou mais feliz.

    (Blog tudebão!!!!)

  12. Não dou esmola (e olha que as vezes me sinto ate ameaçado).
    Mas mudei muito meu conceito de ver as coisas depois que vi o filme ¨Quem quer ser milionario?¨ (Slumdog Millionaire). Essa galerinha passa um perrengue danado, principalmente os sem estrutura familiar que vivem nas ruas, não tem como enchergar uma boa pespectiva de vida para esses moleques. Enquanto eles tem um rostinho de criança faminta, o povo tem dó e acaba ajudando, depois quando viram marmanjos o conceito é outro, entao acabam se marginalizando.

  13. Pra mendigos em geral, eu não dou não. Mesmo porque já rolaram umas coisas épicas comigo, tipo uma senhora pedindo e eu não tinha nenhuma nota, daí juntei umas moedinhas e entreguei. Ela fez uma cara de cu e jogo EM MIM as moedas. Tipo, né? Aqui em BH tem um cara que fica perto da rodoviária e pede dinheiro pra cachaça, tipo na cara dura mesmo, e quando falta pouco ele ainda grita “AE GENTE, AJUDA AI QUE MAIS 50 CENTAVOS EU COMPRO O LITRÃO!” acho sincero, pelo menos. Aqui os guardadores de carros (flanelinhas) tem crachá da prefeitura e tal, é legal, porque são confiáveis e eu sempre acabo dando mais de 1 real. E mesmo quando são os não licenciados, eu dou. Meu namorado era totalmente contra, mas né, prefiro dar umas moedas pro infeliz que “vigiou” o carro do que ele arranhar a lataria de raiva. Claro que depois que eu falei isso meu namorado anda sempre com umas moedinhas no carro, pra previnir UAHUAHUAHU XD

  14. Eu não costumo dar esmola. Se é pra dar dinheiro pra ajudar alguém, prefiro ajudar alguma instituição que com certeza precisa e vai atingir muito mais pessoas.

    Acho que enquanto existir gente que dá dinheiro, vai ter gente pedindo.

    Aqui em Aracaju você vê direto criança pedindo dinheiro no sinal descalços debaixo de sol forte enquanto os adultos ficam à sombra de uma árvore jogando baralho. Simplesmente não acho certo.

    Se tá com fome, não tenho menor problema em comprar alguma coisa pra pessoa comer, mas dar dinheiro eu não dou.

  15. Oi, você nem deve mais lembrar de mim, mas é que eu vi no fotolog que você (praticamente) passou para a faculdade e vim dar os parabéns, porque eu sei como passar para (mais de) uma universidade pública é muito legal! Embora eu ame estudar na unirio, acho que você vai se dar muito bem na uerj e torço para que consiga uma transferência para a ufrj (embora seja um negócio muuuuito burocrático, como aliás tudo nas universidades públicas, de maneira geral), que eu também adoro – a última vez que estive no fundão foi para ter uma aula no ccmn (onde imagino que seja dado o seu curso – ou será que é no ct? agora não sei..) e lá está ótimo.
    E, sobre este post, acho que esse negócio de esmola é muito complicado, houve vezes em que não dei e me senti muito mal, já dei e fui xingada porque não estava dando mais… mas o fato é que tem muita gente que explora mesmo as crianças, e é foda, ao invés de estar na escola, ela fica o dia inteiro pedindo dinheiro para dar para um cara que não vai pagar quase nada para ela… É complicado, acaba sendo aquele tipo de situação onde “cada caso é um caso”.

  16. eu sinto muita pena desses pedintes e sempre procuro ajuda, quando possível. o que me deixa puta é que existe sim muita ingratidão por aí. um dia eu tava com umas amigas do lado de fora da cobal humaitá e veio um cara pedir dinheiro pra gente. as minhas amigas disseram que não tinham, mas eu abri minha carteira e dei pra ele um real. o cara reclamou, disse que eu era egoísta e tudo mais. cara, fiquei muito puta u_u mas continuo ajudando.

  17. É por esta é outras que ainda somos um país de terceiro mundo.

    Ofereça alimento, auxílio psicológico, qualquer coisa, MENOS DINHEIRO. Se quer ajudar de verdade, doe para alguma igreja ou instituição de caridade em que você confia. Para isso é que elas existem. Se ainda não conhece, vá atrás de uma e, por que não, PRATIQUE CIDADANIA.

  18. É CLARO CÉSAR. DOE PARA O EDIR MACEDO AJUDA-LOS kkk

  19. Generalização: Mais uma característica típica de mal-informado de terceiro mundo…

  20. Sinceramente se vc dá 5 reais pra um pedinte,vc é rica ou retardada KKKK!